Pesquisa aponta NOVO BIOMA no Brasil; um deserto está se formando 13

Pesquisa aponta NOVO BIOMA no Brasil; um deserto está se formando

Não faz muito tempo, era amplamente reconhecido que o Brasil não é o lar de desertos em todo o seu extenso território.

Essa característica geográfica é um bioma atribuído a uma série de fatores climáticos e geográficos que diferenciam o Brasil de regiões propensas à formação de desertos.

O Brasil é predominantemente composto por uma vasta extensão de florestas tropicais, savanas e regiões úmidas.

Grande parte do país tem clima tropical, com altos níveis de chuvas durante todo o ano.

Tais condições climáticas não favorecem a geração de desertos, caracterizados por baixas precipitações e temperaturas extremas.

Porém, um estudo recente realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) trouxe à tona uma descoberta surpreendente: a identificação da primeira região desértica do Brasil.

Fenômeno inédito faz surgir deserto no Brasil

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Deserto no Brasil é algo inédito – Imagem: Reprodução

Esse fenômeno foi observado em cinco municípios do oeste baiano: Rodelas, Juazeiro, Abaré, Chorrochó e Macururé, totalizando uma área de 5,7 mil km².

A revelação ocorre em meio a uma série de mudanças climáticas que estão alterando profundamente o cenário ambiental do país.

Ao longo de quase vinte e cinco anos, moradores como Ana Lúcia da Silva, agricultora de 41 anos, presenciaram o declínio das condições climáticas na zona rural de Juazeiro (BA).

Ela relata que as mudanças na paisagem e no clima afetaram drasticamente suas atividades agrícolas, com períodos de chuvas mais raras e temperaturas cada vez mais altas.

O estudo realizado pelo Cemaden examinou dados climáticos acumulados ao longo de 60 anos e identificou uma mudança significativa nas condições climáticas da região.

Esta mudança do padrão semiárido para árido representa uma diminuição média na precipitação, de 800 mm para 500 mm anualmente.

Consequentemente, o clima tornou-se mais seco, dificultando a reposição de água no solo e impactando diretamente a vida dos habitantes locais.

Aquecimento global e sua relação com o fenômeno

Os pesquisadores destacam que esse processo está diretamente ligado ao aquecimento global, que acelera a evaporação da água na atmosfera em uma taxa maior que a de reposição, resultando em déficits hídricos e secas mais severas.

Aliás, um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que o aumento das temperaturas no Brasil foi mais intenso que a média global, atingindo um aumento médio de 1,5 °C e chegando a 3 °C em algumas regiões.

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Estas alterações climáticas têm consequências profundas não só para a agricultura, mas também para outras actividades económicas e para o abastecimento de água potável.

A desertificação, que já atinge 85% do semiárido brasileiro, compromete a fertilidade do solo, reduzindo a biodiversidade e tornando a terra cada vez menos produtiva.

Perante este cenário preocupante, os especialistas destacam a urgência de medidas de adaptação e mitigação.

Javier Tomasella, pesquisador do Inpe, destaca que já existem soluções para adaptação climática e incluem o uso mais eficiente dos recursos hídricos. No entanto, sublinha a necessidade de uma rápida implementação de tais medidas.

O estudo realizado pelo Cemaden foi encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente, que anunciou o desenvolvimento de um novo plano para combater a desertificação e mitigar os efeitos da seca.

Esta iniciativa visa enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas e garantir a sustentabilidade ambiental e económica das regiões afetadas.

Nesse sentido, a preservação ambiente e o bem-estar das comunidades locais depende de medidas eficazes e coordenadas para mitigar os impactos desta transformação climática sem precedentes.